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sábado, 15 de fevereiro de 2014

O abraço

Acordei com a vontade faminta que a noite não soube adormecer. Comecei as tarefas do dia sem conseguir repousar a distracção. Estavas em cada objecto como um fantasma. Vejo-te mas não estás ali. Imagino-te apenas, mas tanto me pesa carregar-te para todo o lado. Preciso descarregar-te de mim. Hoje quero depositar-me num abraço teu, como quem cai num poço sem fundo. Vou procurar-te na surpresa que não esperas. Fazer-te borbulhar no descontrolo do medo. Vou encontrar-te na rua dos amores-perfeitos, quase às portas do céu. Vais poupar nas palavras, fixar-te na atenção dos outros sentidos. Quando me vires, serei toda contornos e cores, pele suave e cheiro doce. E tu serás a felicidade disfarçada numa vergonha infantil. No momento em que os teus olhos e os meus olhos se encontrarem num sorriso, seremos um instante para sempre. Dois corpos que se amam num alívio apertado. Um abraço que é um aperto de silêncios, o reencontro sonhado com a outra metade de nós.     

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