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A insustentável busca do prazer

Andamos a viver em função do momento de alívio. Na vida, todos os pensamentos vão dar ao prazer. E sempre que ele acontece, o mundo pára. Há segundos que valem por anos, risos perpetuados nos ecos da memória. Nesses momentos, estar-se vivo revela-se um milagre ainda maior. Empreendemos dias e suores de esforço em prol de uns segundos de libertação. Deixar de pensar, apenas sentir. A felicidade é aquele instante de ilusionismo em que a percepção anula a preocupação. O tempo fica suspenso. Há um dedo invisível que bloqueia a progressão dos ponteiros do relógio. O sorriso rasga-se e o universo amplia-se. Nesse ápice, tudo volta a ser possível. Andamos carentes de viver. À falta de tempo para vivências, somos perseguidos pelas lembranças. Antes de adormecer, eu volto todos os dias ao último lugar onde fui feliz. Era noite e a minha almofada era o teu peito.   

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Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.

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