A vida é como um sonho que acaba e se esquece,
se não a passarmos para o papel. Escrever é como revelar as fotografias da
alma, capturadas pelos piscares de olhos diante do que vemos. É fácil esquecer
o que sentimos naquele preciso momento. É preciso registar para partilhar. Para
que outros vivam o que não puderam viver. Para que outros recordem o que não
querem esquecer. Para que todos sejam perpetuados na memória das palavras.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.
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