Para alguns, a vida continua a acontecer. Não há pandemia que trave a força do amor. Pares que se encaixam, barrigas que despontam, crianças a pedir para vir ao mundo, mesmo com tudo virado do avesso. O futuro está a nascer todos os dias, ainda que só se fale de doença, desgraça e morte. Muitos sentem que o tempo parou, que a vida ficou em suspenso a aguardar respostas e soluções. Outros reinventam-se e descobrem soluções dentro dos problemas. Hoje, ao caminhar pelo deserto das ruas, procurando na dor física um esquecimento para os projetos adiados, compreendo, passo a passo, que temos todos diferentes velocidades. Apesar da ânsia de realizar, gosto de esperar. Pelos momentos, lugares e pessoas que conferem um sentido supremo à existência. Concluo que nenhuma solidão ou pressa deve precipitar o que só o tempo traz, naturalmente, com a sua infinita sabedoria.
Saborear um fruto exótico pode ser uma experiência inesquecível mas longe do alcance de todas as carteiras Há quem diga que a melhor forma de conhecer um local e as suas gentes é deambular a pé pelas ruelas que se entrecruzam à nossa volta e visitar o mercado municipal. E foi isso mesmo que fiz no primeiro dia de visita ao Funchal. Saio do hotel, localizado no coração do centro histórico, e começo a atravessar ruas aleatoriamente. Começo por seguir pela principal e depois arrisco atalhos pelas perpendiculares, à procura de pessoas e de casas com portas e janelas entreabertas por onde possa espreitar. Liberto toda a curiosidade que se esconde em mim e dou-lhe trela. Quero que seja ela a puxar por mim e por isso deixo-me guiar pelo seu instinto. Sem que tenha andado mais de 500 metros, dou comigo à entrada do mercado municipal. Na fachada leio a inscrição “Mercado dos Lavradores”, mas depressa descubro que este mercado é sobejamente conhecido pelo mercado das flores. Basta atravessar o p...
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