Hoje é Domingo. O primeiro dia de uma nova semana. Mas é como se fosse o dia zero, porque ao Domingo não há compromissos. O despertador não toca. O stresse matinal está de folga. O trânsito partiu para parte incerta. Não há reuniões, nem negócios importantes para selar. Hoje é dia de festa. É dia de tomar o pequeno-almoço à mesa. De rebolar nos lençóis fresquinhos e enterrar a cabeça novamente na almofada após o pequeno-almoço. De nos deixarmos afogar numa lassidão sem culpas. É dia de levar meia hora no duche a cantarolar. É dia de estrear roupa domingueira e sapatos novos. É dia de almoçar em família durante horas e horas. É dia de passear com os filhos e ter tempo para os ver saltar e sorrir. É tempo de termos tempo para reparar na sorte que temos por estarmos vivos e sermos gratos por isso. Hoje é Domingo. Hoje é um dia feliz. Hoje é um dia perfeito.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.
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