Explodem-nos cravos no coração, num
arrepio que antecede a lágrima, enquanto choramos em coro à janela o cântico da
liberdade. O hino de uma nação em prisão domiciliária faz eco na memória,
evocando pensamentos distantes. Entre a saudade do passado e a ânsia do futuro,
aqui estamos, prostrados, numa resignação confinada, de olhos postos num ecrã,
à espera que volte a ser Abril, à solta nas ruas.
Os dias passam velozes mas o tempo parece não avançar. As soluções demoram, ninguém trava a morte, o cárcere dos dias é uma asfixia doméstica sem direito a balões de oxigénio. Resta-nos fechar os olhos e apelar à imaginação: estar aonde não estamos, ir aonde não vamos. O pensamento pode ser o pior ou o nosso melhor aliado. As saudades têm nome e rosto e os beijos e abraços são promessas dolorosas por cumprir. Queremos todos o mesmo. O que mais desejamos é que este tempo passe e o mundo avance para outra realidade. Uma vida nova, sem distâncias de pele, na qual nos possamos voltar a cheirar e tocar ao sabor do desejo.

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